Espírito Crítico - Blog da KINGPIN BOOKS

sábado, julho 29, 2006

Férias

Daqui a 10 minutos, entro de férias. É justo, é merecido. E é cruel quem julgue o contrário. Volto dia 14 de Agosto. Rejuvenescido, reenergizado, e cheio de novidades que têm andado a marinar na minha cabeça (e na ponta dos meus dedos, a zona que entra em contacto com o teclado).


Espero que sintam a minha falta. Mas compreendam, e sejam solidários comigo.


Um grande abraço.

quinta-feira, julho 27, 2006

Mais um teaser, mais um projecto

Hoje, mais um teaser! Mas de um outro projecto, no qual estou apenas envolvido na qualidade de editor/consultor/letterer (perdoem-me, mas balonista soa-me a vendedor de balões de feira). Mas quem melhor que o próprio criador e argumentista para apresentar este projecto? Dou a palavra ao meu regular colaborador, Fernando Campos:

Depois de algumas tentativas, depois de explorar vários conceitos e várias histórias, parece que finalmente uma irá ver a luz do dia. Estar em Portugal e gostar de escrever são duas coisas difíceis de conciliar...

Quando há tempos li alguns trabalhos da banda desenhada portuguesa, pensei que bons artistas até há, mas boas histórias... Então, por gozo e amor à arte, toca de tentar fazer um argumento para um comic pequeno, mas que tivesse trabalho narrativo cuidado e que, sobretudo, causasse impacto no leitor. E, a meu ver, foi mesmo a procura dessa experiência que me desafiou e que me causou um enorme prazer.

Destapando um pouco o véu, trata-de de uma hstória de suspense/mistério sobre a jornada de um russo que se vê envolvido num crime muito invulgar. Assim, aqui vai um teaser da primeira página, e espero que comentem e deixem a vossa opinião.

terça-feira, julho 25, 2006

Mais um Teaser!

E cerca de uma semana depois, aqui fica mais um teaser!

Esta será a primeira página do tal projecto que estou a desenvolver. Salvo qualquer retoque de última hora, e até melhor opinião, esta é já a versão definitiva da página, ilustrada pelo C.Pedro e escrita pelo autor destas linhas (o mesmo que descobriu que uma balonagem com aspecto profissional até é bastante acessível, pelo que não há qualquer desculpa para os horrores amadorescos que por vezes se vêem por aí).

A propósito: já vos disse como odeio o blogger e a terrível forma como funciona? Como ontem já tinha mais de metade da minha crítica do dia feita e, puf!, foi-se tudo? Pois, aconteceu...

Desta feita, se clicarem na imagem, poderão visualizar a página redimensionada, pelo que conseguirão decerto ler o que lá está. Ler, porque não pensem que vão já perceber o que isto é ;).

Até final da semana, conto apresentar-vos mais qualquer coisa, embora isso já não dependa só de mim. Sabem como são estes artistas...

quinta-feira, julho 20, 2006

Destaque do Dia

Fables: Arabian Nights and Days TP

Written by Bill WIllingham
Art by Mark Buckingham
Cover by James Jean

5 Dias, 5 Críticas: Superman Returns

Regresso da Desilusão

E viu a luz do dia o novo projecto cinematográfico, baseado na mais mítica personagem da DC. Foram necessários 19 anos, diversos realizadores, e cerca de 60 milhões de dólares, para que a produção fosse para a frente, com Bryan Singer ao leme.

E, uma vez mais, Singer rodeou-se dos seus mais fiéis colaboradores (argumentistas, directores de produção, director de fotografia) e, com cerca de 200 milhões de dólares, apresenta este Verão a sequela directa de Superman II de Richard Lester e Richard Donner, ignorando os penosos Superman III e IV.

Com base nesta premissa, parece que Singer entende e respeita realmente o material que tem em mãos. No entanto, depois de ter visto o filme, penso que não conseguiu levar até ao fim as opções em que parecia ter alicerçado o projecto.

E se Richard Donner percebeu que qualquer que fosse a história do Superman a contar, o trabalho dos actores que iriam desempenhar o Superman/Clark e a Lois Lane seria o verdadeiro motor de tudo o resto, parece que Singer não lhe deu a devida importância.

E para se “enterrar”, acentuou o lado romântico, o que mal suportado ainda torna mais evidentes os problemas de casting. Reeve é o Superman e sempre o será, dentro e fora da tela. Brandon Routh é parecido com Reeve e nada mais. Sinceramente a personagem perde a profundidade humana que o caracterizava e Clark Kent passa a ser o Superman com óculos, uma vez que Routh não lhe imprime a postura, os gestos e o desnorte que o caracterizavam na versão de Reeve.

Kate Bosworth de 23 anos fica com a missão de representar Lois Lane depois de ter vingado como jornalista e ter ganho o Pulitzer. Sinceramente não tem culpa do erro de casting cometido e mesmo assim acho que tenta dar o seu melhor. No entanto, penso que não funciona, pois para uma Lois mais madura, mãe e com uma carreira sólida, seria necessária uma actriz bem mais calejada.

Para concluir, Reeve tinha gozo a interpretar a personagem enquanto a Routh parece que o Superman é um fardo com o qual tem de lidar.

Quanto ao filme propriamente, Singer é fiel ao trabalho de Donner aumentando a intensidade romântica. Traz para o projecto Kevin Spacey que é dirigido num registo muito semelhante ao Lex Luthor dos filmes anteriores. Em certa medida fiquei desiludido com isto porque a um actor do calibre de Spacey era exigido uma personagem completamente concebida pelo próprio tal como o fez Gene Hackman nos filmes originais.

E depois CG e pouca emoção. Os efeitos são bons mas por vezes demasiado plásticos, sobretudo quando a personagem do Superman é trabalhada para parecer ter mais músculos. O momento mais espectacular do filme acontece a meio do mesmo, sendo a cena final pouco rica de emoção o que resulta num desequilíbrio e numa certa sensação de: “Só isto? Estava à espera de mais!”.

E existem algum momentos demasiado corny mas que prefiro não revelar pois iria criar spoilers desnecessários. No entanto o que posso adiantar é que a existência desses momentos fizeram-me perceber que Richard Donner foi completamente visionário e criou um verdadeiro clássico do cinema conseguindo fugir ao que de pior poderia criar para esta personagem.

Ao contrário de adaptações recentes de banda desenhada, o filme de Donner é bom em qualquer subgénero e não é somente um filme para apreciadores. Infelizmente o filme de Singer será um filme genial para os fanboys e afins mas será um filme dispensável para a maior parte da indústria cinematográfica e para a maior parte dos amantes de bom cinema. E mesmo assim Singer enche os bolsos e já está aí uma prometida sequela.

Nota:

Queria não deixar de realçar a minha opinião sobre Bryan Singer. Singer é um bom realizador de filmes low-budget tendo no género uma obra-prima intemporal, os Suspeitos do Costume.

No entanto no campo das grandes produções baseadas em comics penso que é endeusado sem grande razão. Os seus X-Men são bons mas também não são aquilo que querem fazer deles.

O maior problema a meu ver neste filme foi o facto que Singer gozar de um reputação que acabou por o deixar tomar más decisões que poderiam ser perfeitamente evitadas. Digo isto baseado num entrevista que li dele na revista “Total Film” em que ele diz que é muito bom naquilo que faz e mostra uma arrogância que demonstra que na indústria actual basta aparecer um tipo um bocadinho melhor que a média para ser logo endeusado (‘I’m pretty good at what I do…” página 94)

Depois diz na entrevista que estavam numa de fazer castings até que ele conheceu o Routh num café e olhando para ele decidiu logo que era o homem certo. Foi com ele à rua e pediu-lhe para fazer que ia voar. Nesse momento a escolha estava feita. Se virmos os documentário do dvd do Superman, the Movie, vamos descobrir que Donner procurou por toda a América, viu centenas de actores mesmo depois de Reeve e só aí fez a sua escolha. Outros tempos, outros públicos.

Fernando Campos

terça-feira, julho 18, 2006

5 Dias, 5 Críticas: Quem Edita os Editores?

As grandes editoras são sítios curiosos: parte significativa dos títulos têm editor assistente, editor associado, editor e, finalmente, o editor-chefe. Olhando para muita coisa a que assisto nos comics que leio ou me limito a folhear, apetece-me perguntar: estes editores andam a olhar para onde? Andam a editar o quê? Ou será que não passam de macacos menos evoluídos que o Gervásio?

Um editor não pode ser apenas um escritor frustrado sem talento ou um tarefeiro que começou como office-boy, mas que foi subindo porque demonstrava "boa vontade". Um editor tem que ter sólidos conhecimentos de escrita e de arte, mesmo que seja incapaz de imaginar uma ideia suficientemente meritória para ser publicada ou não consiga sequer desenhar uma stick-figure em condições (mais do que nos olhos, a capacidade de desenhar bem está na prática e correspondente coordenação entre a mão e o cérebro).

Há uns anos atrás, recordo-me de Jim Shooter - o carismático e polémico editor-chefe da Marvel nos anos 80 - comentar com estupefacção uma afirmação inenarrável de alguém que ocuparia o seu posto anos mais tarde: Bob Harras. Instado a especificar aquilo que, na sua óptica, constituía os fundamentos de uma boa escrita ou de uma boa arte, Harras afirmou que essas coisas não se conseguiam explicar ao certo, mas que, quando olhava para elas, percebia! Isto parecem as afirmações de um leigo, nunca daquele que era, à época em que as proferiu, editor-chefe da principal editora americana de comics! Concordo a 100% com Shooter, quando este comentou "Ou Harras estava num mau dia, ou então não fazia mesmo a ideia do que andava a fazer...". E estou absolutamente inclinado para a segunda hipótese.
Porque o que sucedia com Harras, sucede com inúmeros e variadíssimos editores de inúmeras e variadíssimas editoras, das maiores às mais insignificantes: a completa incapacidade para perceber quando certa escrita ou, sobretudo, certa arte, são completamente impróprias para uma publicação profissional! Só isso justifica os amadorismos a que se assiste, quer em termos de escolhas ou completa inadequação destas, quer em termos de directivas de conteúdos.

A última enormidade, uma verdadeira alarvidade mesmo, partiu de um editor experiente, pelo qual nutria respeito profissional e que tinha em bem melhor conta: Tom Brevoort afirmou que, no actual contexto do mercado, as capas são irrelevantes! Isto é um autêntico atirar da toalha, uma capitulação definitiva a uma lógica consumista de massas, assente unicamente em mega eventos e infindáveis crossovers, bastas vezes associados a uma boçalidade estética deprimente.

Eu sei que a velha máxima dita que "Gostos não se discutem!"."Só os maus", acrescentaria eu. Pelo que só isso explica os elogios desproporcionados e disparatados com que Jennifer Grunewald - editora do departamento de trade paperbacks da Marvel - brindou a capa do "artificial" Mike Mayhew para a edição de Women of Marvel, uma edição compilada que, muito honestamente, não interessa nem ao menino Jesus... A capa é o habitual em Mike Mayhew: rígida, artificial, sem vida, estática. Quase uma colagem de figuras sem grande interligação entre si. E já que falo em colagens...

O caso mais gritante é Greg Land. Não vou estar com meias palavras: Land é mau. Muito mau! A capa agora mostrada de Ultimate Power #1 é completamente surreal... Uma mera colagem quase aleatória de figuras isoladas, sem qualquer nexo, sem qualquer ligação entre si. Há uma coisa que se chama composição e que artistas destes parecem ignorar por completo. Artistas destes e, claro, os seus editores. Porque o problema, e grave, está aí: é que os editores acham que esta "coisa" é boa arte e quantas vezes já não ouvi pessoas com responsabilidade na Marvel a apelidarem Greg Land de "um dos melhores artistas da indústria"! Deus me livre!

Reparem na figura da Scarlet Witch: vejam bem a completa desproporção entre a cabeça e o peito e a parte inferior do corpo. Vejam aquele bracinho! A Wanda agora é deficiente, por acaso? E ninguém vê isto? Nem o artista, nem os editores? E querem uma prova que isto é uma (má) colagem de várias imagens? Reparem bem no ligeiro contorno branco à volta de cada figura. Isso significa que cada figura terá sido cortada de outro local e colocada aqui.

Isto parece-me suficiente. Espero que estes exemplos dêem que pensar e que vos faça meditar um pouco. Boa arte não é apenas figuras bonitas. Não é apenas traço bonito. Longe disso. Muito longe, mesmo.

5 Dias, 5 Críticas: Eternals #1

Depois do bem sucedido 1602, Neil Gaiman regressa ao universo Marvel com uma mini-série que recupera as criações cósmicas dos anos 70 de Jack Kirby.

Na linha da continuidade imaginada por Kirby (mas ignorando por completo o mais recente revamp de Chuck Austen), Gaiman reintroduz os principais membros da casta de super-seres criados pelos Celestiais, em particular os mais conhecidos Ikaris, Makkari, Sersi e Athena. Estes encontram-se na Terra e parte deles não tem qualquer memória da sua verdadeira identidade e da sua natureza como Eternos, pelo que Ikaris (na sua identidade humana de "Ike Harris") procurará contactá-los e convencê-los da realidade.

A abordagem de Gaiman é surpreendentemente conservadora, com um primeiro número que serve de capítulo introdutório, dentro de parâmetros narrativos contidos que não vai muito além da introdução dos personagens e de uma recapitulação da história dos Eternos, desde à sua criação pelos Celestiais à guerra com os Deviantes. De qualquer forma, a capacidade descritiva de Neil Gaiman vem ao de cima com a sua usual narrativa eloquente que define e caracteriza capazmente a essência dos personagens.

A arte de John Romita Jr., como seria de esperar, é quase irrepreensível. Romita é desde há vários anos um dos melhores narradores visuais da indústria, alicerçado numa impecável composição de página e fundamentos artísticos consolidados ao longo de uma carreira que já dura, imagine-se, há perto de 30 anos! A double-spreadpage das páginas 2 e 3 é particularmente impressionante, conferindo toda a grandiosidade típica do Rei Jack Kirby. A arte-final de Danny Mikki e Tim Townsend respeita competentemente o traço de Romita, embora, na minha óptica, só arte-finalistas do calibre de Klaus Janson ou Al Williamson sejam capazes de conferir o toque orgânico e visceral que melhor se adequa ao traço de John Jr.

E, já que menciono visceral, há algo que me deixa uma sensação de incómodo com a série, algo que já me sucedera com 1602. De algum modo, a escrita de Neil Gaiman, talvez porque intimista e tantas vezes cínica, assenta-me sempre melhor quando a arte que a acompanha é mais suja, mais orgânica, mais visceral. Dos vários volumes de Sandman, aqueles que mais me agradaram foram precisamente os ilustrados dentro desse estilo, nomeadamente por artistas como Mike Dringenberg ou Jill Thompson. E, francamente, nunca consegui compreender as queixas em relação à qualidade da arte de Sandman! Quando alguém me dizia que a arte era fraca, sempre retorqui "Com uma história deste estilo, queriam o quê? J.Scott Campbell!?".

Daí, creio que Neil Gaiman não "casa" na perfeição com o universo Marvel, até porque fica sempre a sensação que estamos perante um Gaiman em piloto-automático, a cumprir serviços mínimos. Não que Eternals seja fraco, longe disso. Gaiman em piloto-automático é, ainda assim, melhor que a a grande maioria dos escritores da indústria. Só que, exactamente por ser ele, não consigo disfarçar que esperava algo mais.

segunda-feira, julho 17, 2006

5 Dias, 5 Críticas: Uncanny X-Men #475

Aqui, na Kingpin of Comics, já sabíamos há uns tempos (mais concretamente desde o Festival da Amadora) que Ed Brubaker iria escrever os X-Men. Confesso a surpresa que senti na altura, visto que sempre relacionei o Ed com coisas mais noir. Maior supresa tive ainda quando constatei que o homem era na verdade um grande, grande fã da Marvel e que estava felícissimo por poder escrever os mutantes (infelizmente não o grupo de Tropicália, que até era capaz de dar um comic giro).

Quanto à sua escolha de artista, Ed falou bastante bem de Billy Tan, enaltecendo o salto qualitativo que a sua arte tinha tomado desde os dias de Marvel Knights Spider-Man.

E então, o que temos aqui em mãos hoje, agora que finalmente saiu o primeiro número da sua run?

Resumidamente, este é um número de set-up, que serviria perfeitamente como #0. O Xavier reúne uns quantos X-Men (e o Warpath, que assim se vê promovido à big league) e leva-os para o espaço. Claro que a história não é assim tão simplista. É uma sequela directa da mini-série Deadly Genesis, pegando nas temáticas da vingança do Vulcan contra os Shiar e dos falhanços do Xavier, mas tem também resquícios das recentes desventuras da Polaris como Cavaleira do Apocalypse. É assim tipo pot-pourri. Contudo, não é díficil de apanhar, e nenhum leitor se sentirá perdido.

A história é simplista, mas com bons pormenores e, comparada com os anteriores Claremontianismos, bastante new-reader friendly. É refrescante, diga-se já, ver que Brubaker tenciona levar estes seus X-Men para uma daquelas óperas cósmicas que eram antes o pão nosso de cada dia, e que tristemente tinham estado ausentes dos livros nestes últimos anos.

Quanto à arte, nota-se claramente que Tan é aluno da Top Cow. Adicionar o Danny Miki como arte-finalista foi uma boa escolha neste caso, e se juntarmos ainda Frank D'Armata como colorista é fácil notar realmente um salto na qualidade, comparado com os seus esforços anteriores. Se bem que também não era difícil. Mas s suas insuficiências como artista não podem ser escondidos. As caras são inconsistentes, mudando bastas vezes de painel para painel. E Tan é simplesmente incapaz de desenhar proporções. As suas personagens crescem ou diminuem 20 centímetros (pelo menos, e não estou a exagerar) sem mais nem menos. E a maneira como ele desenha o Beast é quase um insulto à elegância do Beast do Quitely. Alguns chamarão a isto picuinhices, mas para mim são os pormenores que distinguem os bons artistas dos artistas "tão mais ao menos".

Posso dizer que vou voltar para os próximos números, pois estou minimamente intrigado com o que está para acontecer, já para não falar que gosto sempre duma boa aventura no espaço.

Só espero é que o Billy Tan aprenda certas noções básicas de desenho entretanto...

Bruno Batista

sexta-feira, julho 14, 2006

5 Dias, 5 Críticas

5 dias, 5 críticas. A ideia é simples: todos os dias úteis, deixarei aqui uma crítica a uma qualquer edição que tenha lido e que me tenha impressionado. Para o bem ou para o mal (se bem que, como isso nem sempre sucede, serei certamente forçado a comentar alguns comics com Ph neutro...).

Assim, vou estrear esta rubrica com CASANOVA #1, uma nova série da Image, escrita por Matt Fraction e desenhada pelo brasileiro Gabriel Bá. Casanova é mais uma publicação da Image ao estilo de Fell, de Warren Ellis e Ben Templesmith, em que cada edição de 16 páginas conta uma história completa, ao módico preço de $1.99!

Casanova Quinn é um mercenário de luxo e é também , por acaso, filho de Cornelius Quinn, director supremo da E.M.P.I.R.E., a força internacional de manutenção de paz. Neste primeiro número, a irmã gémea de Casanova, Zephyr, (igualmente por acaso) a principal agente da E.M.P.I.R.E., é encarregada de investigar um distúrbio no contínuo espaço-temporal e acaba por colidir com os interessos do seu renegado irmão.

Até aqui, nada de novo, pensarão alguns. Pois, a ideia poderá não ser particularmente original, mas a execução é óptima!, e isso faz toda a diferença, até porque hoje em dia já ninguém inventa (praticamente) nada. A história tem óbvias raízes num estilo de aventuras popularizado por Nick Fury, nomeadamente durante a era Jim Steranko. A narrativa na primeira pessoa do protagonista coloca-nos dentro do personagem, um indivíduo egocêntrico e pouco escrupuloso, com quem dificilmente iremos simpatizar. O salto entre realidade paralelas e a inesperada reviravolta final exigem uma leitura atenta, mas deveras gratificante.

A arte de Gabriel Bá aproxima-se claramente do argentino Eduardo Risso, mestre do jogo de contrastes, com um toque aqui e ali de Mike Mignola. Para além do preto e do branco, a arte conta apenas com mais uma cor, um verde escuro musgo, habilmente aplicado para conferir um ambiente tenso e denso à narrativa. Destaque ainda para o magnífico design da capa, algo em que as grandes editoras, nomeadamente a Marvel, deveria pôr os olhos, tal a habitual pobreza estética reinante.

Quando terminei a leitura da história propriamente dita, e ao ler o postfácio do escritor, qual não foi a minha surpresa ao verificar que o comic tinha apenas 16 páginas. Demorei mais tempo a lê-lo, acreditem, do que dois ou três números de algo tipo New Avengers. A quantidade de coisas que se passam e o ritmo vertiginoso da narrativa são um feito para uma quantidade aparentemente tão reduzida de páginas. A trama está compactada num estilo que Grant Morrison apelidou de Super-Compressão e que está a usar em All Star Superman, à semelhança do que Warren Ellis está a fazer com o mencionado Fell, e do que eu próprio estou a utilizar no tal projecto que estou a desenvolver (e perdoem-me a ousadia de me incluir em tão ilustre companhia).

Em resumo, um comic para se ler e disfrutar integralmente, sem tiques e truques narrativos dilatórios, tantas vezes usados apenas para estender a história e encaixá-la numa edição compilada que fique bem na estante.

quinta-feira, julho 13, 2006

Novidades da semana: algumas capas

quarta-feira, julho 12, 2006

Finalmente, a luz

ALL STAR SUPERMAN #4 chega finalmente esta semana!

Sim, já estava a desesperar. Eu e dezenas de outras pessoas viciadas nesta brilhante série de Grant Morrison e Frank Quitely. Mas os transportadores têm este vício terrível. Parecem adivinhar quanda determinada carga é particularmente relevante e fazem questão de a atrasar.

Mas enquanto aguardamos esta quarta edição, que tal deixar aqui desde já a capa da 6ª? Smallville, Krypto e a morte dos Kent. E o que mais? Talvez a quase perfeição da capa de Quitely e a forma como usa sombras e o mato para conferir uma sensação de tri-dimensionalidade espacial. Não é para quem quer. É para quem pode.

segunda-feira, julho 10, 2006

O Primeiro Post

Este Blog está ainda em construção. Porém, aqui fica desde já um teaser.

Esta é a primeira imagem de um projecto que espero poder apresentar num futuro próximo. BD pensada. BD com cabeça, tronco e membros. BD com um aspecto limpo, profissional. Uma BD sem vergonha de ser comercial, não significando com isso que não seja criativa e intelectualmente estimulante.

Uma BD que seja feita com prazer, uma BD que dê puro gozo, independentemente de pseudo-lógicas ultrapassadas de mercado. Porque se o mercado existe, então urge ser repensado. Porque o que temos agora não passa de um amontoado de detritos amorfos, que resvalam, salvo honrosas excepções, entre projectos amadorescos e suicidas e outros que não passam de cópias desajustados de modelos importados.

Não prometo nada. Nem periodicidade, nem garantia de publicação continuada, nem preços da uva mijona. Porque já chega de promessas vácuas, sem fundamento e sem alicerces. Prometo apenas que aquilo que venha a sair seja feito com dedicação e competência. E critério editorial, cuja gritante falta tem sido a principal malapata da edição nacional.